A revisão da estrutura curricular agora anunciada faz temer a machadada final, com a redução aos "conhecimentos fundamentais"* e às "disciplinas essenciais".
Nos últimos anos, a enorme burocratização trazida à escola foi matando a possibilidade de os professores dedicarem o tempo necessário à qualidade do trabalho com os alunos e à melhoria da educação, perdendo-se entre papéis e reuniões. Muitos professores optaram por uma reforma antecipada, que nunca tinham desejado. A revisão da estrutura curricular agora anunciada faz temer a machadada final, com a redução aos "conhecimentos fundamentais"* e às "disciplinas essenciais"*. Muito se tem escrito e falado sobre o assunto, pelo que me vou referir apenas à extinção da Formação Cívica.
Durante longos anos, os diretores de turma lamentaram-se por não terem um espaço para conversarem, conhecerem melhor e trabalharem com os alunos da turma de que eram diretores.
O papel de aluno é apenas um dos muitos que cada criança/jovem assumem em cada momento da sua vida. Ao diretor de turma, entre muitas outras funções, cabe acompanhar cada aluno de forma mais individualizada, olhá-lo como pessoa e não apenas como "aluno", conhecer melhor o seu perfil e as suas necessidades, propor soluções para os problemas que encontra, monitorizar a aplicação de medidas junto dos alunos, dos professores e das famílias. Aluno na escola, a criança/o jovem é também, e sobretudo, uma pessoa. Não é um ser abstrato sempre predisponível e preparado para a aprendizagem seca de "conhecimentos fundamentais". O "aluno-colega de outros pares" com quem tem boas ou más relações sociais, o "aluno-elemento de uma família" que tem características e problemas diversos (que passam pela composição do agregado familiar, pela capacidade deste satisfazer ou não as necessidades básicas, pela possível perda de pessoas significativas, por situações de doença pessoal ou familiar de gravidade variável), o aluno como pessoa em todas as suas dimensões não é um ser abstrato, redutível a um número integrado numa lista de turmas, também designadas por números ou letras.
Em tempos idos, o diretor de turma, à falta de um tempo específico para estar com a sua turma, pouco mais podia fazer do que as tarefas burocráticas de pedir aos alunos as justificações de faltas e trocar mensagens através da caderneta, à custa do tempo disponível para as aulas da sua disciplina, ou seja, para "transmitir os conhecimentos fundamentais" desta. Era frequente, por isso, o diretor de turma não conseguir cumprir o programa previsto.



























