O Estado não está a cumprir a lei no que respeita à proteção das crianças em risco, acusa Eduardo Sá. Em entrevista, o psicólogo lança duras críticas ao caso do desaparecimento de Rui Pedro que veio demonstrar que, em Portugal, há crianças de primeira e crianças de segunda. Os meios mobilizados, comparativamente aos de Maddie McCann, foram prova disso.
Estão. Não digo isso pelo facto de o Governo e a oposição as terem
transformado numa espécie de conta poupança reforma. Acho até divertido
que se fale de tudo e mais alguma coisa nas várias campanhas –
presidenciais incluídas – e as questões das crianças e a política de
fundo para a família nem sequer exista. Portanto, o que é que a mim me
preocupa? Preocupa-me esta ideia complemente absurda de crescimento, que
dá a entender que as crianças têm que ser jovens tecnocratas de fraldas
antes dos seis, têm que ser jovens tecnocratas de mochila depois dos
seis e têm que ser jovens tecnocratas de sucesso ao entrarem na
universidade para que, finalmente – como se fosse uma linha de montagem
–, saíssem todos mestres. Mestre é a designação mais vergonhosa que eu
já vi para um título académico, porque é um título que reconhecemos aos
sábios.
Andamos a enganar os jovens?















